Repente produzido por mim, como resposta a atividade proposta em sala sobre o curta Recife Frio, de Kleber Mendonça. O objetivo é estabelecer relação entre a obra e contextos e/ou situações que se observa, e assim, estimular o espírito desprendido e incentivar as possibilidades de narração.
Fogueira Fria
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
nessa terra de folguedo
o pobre moribundo, nessa terra vai pastar
Em homenagem a Pinto e Patativa,
e a história do Recife pra ilustrar
Um filme de 2009 do Seu Kléber já dizia o que agora vou falar:
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
nessa terra de folguedo
o pobre moribundo nessa terra vai pastar
Uma pedra achei que era de Deus , mas do inferno pode pular
o céu azuL bem clarinho agora nublado vai ficar,
e luz que tinha muita
E agora só na fogueira vai estalar
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
Cair duro da morte fria num tempo sem alegria
saudade do tempo que passou, só parece com a pandemia.
a culpa só pode ser dos mal feito acumulado,
porque pecado dos Nogueira, é ter Grace no quarto ao lado.
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
No quarto que era da empregada
lá agora vou me abrigar,
o filho do patrãozinho , muita coisa não pode passar
mas a grace sem escolha, da paisagem já diz que não vai apreciar
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
Se a grande obra é as pessoas aquecer
o que vai ser feito de mim, se nem vivo consigo me manter?
mas de frio não tem só o clima
as ruas vazias e noite escura
cidade, prédios e curvas tão só a penumbra
Recife só esquenta em quem em shopping coloca a bunda
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
nessa terra de folguedo
o pobre moribundo na terra vai pastar
O artista vem da terra e também do caldeirão
no presídio não é só guerra
Então óia pra cima irmão
se a arte me salvar , já sei que das paredes não vou escapar
mas se sou livre de alma, desse mundo vou pra aliviar...
Te contei? Não te contei, mas agora vou contar
nessa terra de folguedo
o pobre moribundo na terra vai pastar...


